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Cinema em Portugues 2013


4 a 8 de novembro de 2014

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Quarta 5, Novembro 2014

Isabel Macedo
Co-autoras:
- Rita Bastos
- Rosa Cabecinhas

Universidade do Minho - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade

Representações da ditadura no Cinema Português

Palavras-chave: Documentário; Ditadura; Representações Sociais; Memória Coletiva.

Resumo: Vivemos um momento caraterizado por uma inédita presença da história e da memória na esfera cultural. Neste contexto, as tecnologias visuais de representação e narrativa, como os filmes, desempenham um papel fundamental, transformando acontecimentos históricos, dando-lhes uma visibilidade renovada, sensibilizando o público. A presença destes produtos - a variedade de géneros, estilos e interpretações do passado - pode contribuir para uma compreensão mais rica da história e da memória coletiva e para o desenvolvimento de sujeitos históricos mais reflexivos e auto-conscientes.
Nesta apresentação argumentamos que o cinema documental pode constituir um espaço de memória e reescrita da história. O estudo que desenvolvemos sobre os documentários produzidos em Portugal entre 2007 e 2012 indica que os principais temas presentes nestes filmes prendem-se maioritariamente com as áreas das Artes e Artistas (39 documentários), embora a temática da memória sobre a ditadura e o passado colonial também estejam presentes na produção cinematográfica neste período (19 documentários).
Nesta comunicação pretendemos explorar o leque de representações sobre o passado que os documentários recentemente produzidos em Portugal divulgam. Foram selecionados dois documentários: Fantasia Lusitana (2010) de João Canijo e 48 (2010) de Susana de Sousa Dias. Discute-se como a memória é (re)criada em contextos pós-coloniais, através da análise das narrativas de pessoas que viveram experiências de repressão e deslocamento durante a ditadura. Através da análise de conteúdo dos documentários selecionados, pretendemos explorar como as narrativas sobre o passado ditatorial influenciaram/influenciam as identidades sociais e pessoais destes indivíduos, e compreender de que modo as suas emoções e desejos são explorados. Além disso, pretende-se discutir as potencialidades destes filmes para gerarem - pela transmissão de relatos sobre o passado - um relacionamento com o público, contribuindo para a reconstrução das representações sociais da história.

Ágata Marques Fino

Universidade Fernando Pessoa - Porto

Produção, Indústria e Cinema Português

Palavras-chave: Cultura; Indústria; Produção; Cinema europeu, americano e português; História.

Resumo: Interessa olhar a produção como condição para a concretização e sucesso de um filme, através de desenhos apropriados a cada projecto. O sucesso, esse, passará por um bom argumento, um bom elenco e um bom orçamento. Propomos a produção como tutora da realização, evitando que seja apanhada na armadilha de tornar o seu filme incompreensível, impedindo-o de dialogar com o espectador. As indústrias europeias partilham uma orientação mais vincada para a promoção da arte do que para o lucro, visível na maior centralidade no realizador do que no produtor, na produção mais do que na distribuição e exibição, mais assente em apoios governamentais do que em privados. O cinema português continua até hoje a perder público e mercado, reflectindo-se em filmes com baixos orçamentos e de produção precária e há um público diante do seu cinema com uma posição diferente da dos realizadores, críticos ou cinéfilos.

Quinta 6, Novembro 2014

Paulo Cunha

Universidade da Beira Interior - UBI




Cinema de Garagem: o caso português

Palavras-chave: Cinema Português, Circulação, Exibição, Receção

Resumo: De acordo com dados oficiais do ICA, dos 19 filmes portugueses estreados nas salas nacionais até 17 de Agosto, apenas 3 somaram mais de 2 mil espectadores. Independentemente da sua qualidade, os filmes registam estes números simplesmente porque não circulam, e outros não chegam sequer a estrear nas salas nacionais, e porque a distribuição e exibição cinematográficas estão fortemente monopolizadas.
Ano após ano, repetem-se casos de filmes que são selecionados ou premiados em festivais internacionais de reconhecido e inquestionável mérito e que passam despercebidos ou nem sequer chegam a estrear no circuito comercial nacional, sendo exibido publicamente apenas em circuitos alternativos como mostras e festivais.
A expressão Cinema de Garagem propõe uma reflexão sobre os novos modos de produção no audiovisual contemporâneo, analisando conjuntamente os seus aspetos económicos, estéticos, éticos e políticos. Acompanhando as transformações tecnológicas digitais atuais e novos meios de circulação, novos realizadores e produtores tem procurado novas formas de produção e circulação dos seus filmes, procurando alternativas aos meios convencionais de financiamento e de distribuição comercial.

Wiliam Pianco

Universidade do Algarve - Faculdade de Ciências Humanas e Sociais / Centro de Investigação em Artes e Comunicação




Os Filmes de Viagem de Manoel de Oliveira no cotejo com a Literatura de Viagens

Palavras-chave: Manoel de Oliveira; Alegoria Histórica; Filmes de Viagem; Literatura de Viagens

Resumo: Partindo do pressuposto de que existem recorrências temáticas, formais e conceituais no conjunto formado pelas longas-metragens O sapato de cetim (1985), Non, ou a vã glória de mandar (1990), Viagem ao princípio do mundo (1997), Palavra e utopia (2000), Um filme falado (2003) e Cristóvão Colombo – o enigma (2007), defendemos a denominação deste corpus como Filmes de Viagem de Manoel de Oliveira. No caso, a hipótese que aludimos é a de que o cineasta português, em tais títulos, utiliza estratégias narrativas ancoradas em duas características principais: as viagens (nos planos temáticos e formais) e a alegoria histórica (no plano conceitual).
Esta seleção – filmes com suas estratégias retóricas particulares, vinculadas às viagens e às alegorias – sugere um tal discurso elaborado por Manoel de Oliveira em que sua construção estabelece a relação entre passado e presente, de modo a compreendermos problemáticas semelhantes na atualidade que nos ajudam a refletir sobre a contemporaneidade. Desse modo, ser-nos-ia possível empreender uma análise de discurso que considere os agentes narrativos como personificações de identidades relacionadas à história de Portugal. Para tanto, estão em pauta alegorias nacionais constituídas sobre indivíduos (os protagonistas dos filmes em questão) e coletividades (os demais viajantes que, nos mesmos títulos, estão relacionados às questões internacionais da União Europeia e do mundo).
Diante das afirmativas acima apresentadas, alguns interrogantes metodológicos acerca dos Filmes de Viagem ganham notoriedade em nossa investigação: por exemplo, de que maneira poderíamos estabelecer um contraste operacional entre as teorias cinematográficas e as teorias literárias pontualmente voltadas ao uso da viagem como matéria de expressão? A partir disso, quais seriam os saldos da contraposição estabelecida entre os Filmes de Viagem de Manoel de Oliveira e parte da teoria dedicada à Literatura de Viagens em Portugal? Ou, mais especificamente, assumindo estratégias narrativas que lançam mão da alegoria histórica em seu discurso, o corpus em causa se apropria da estrutura classificatória dos estudos dedicados à Literatura de Viagens? Se sim, por quê?
Como ferramental metodológico colocaremos em debate o artigo "Portugal, Europa e o Mundo: Condição Humana e Geopolítica na Filmografia de Manoel de Oliveira", de autoria da investigadora Carolin Overhoff Ferreira [In.: Idem (org.). Manoel de Oliveira: novas perspectivas sobre a sua obra. São Paulo: Editora Fap-Unifesp, 2013]. O texto em pauta versa sobre a competência do cinema oliveiriano em abordar variações geopolíticas da Europa e do Mundo contemporâneo, embora mantendo-se fiel à sua vocação universalista embasada no legado cultural judaico-cristão e no projeto de expansão marítima de Portugal.
Abordaremos também a proposta de tipologia para a Literatura de Viagens apresentada por Fernando Cristóvão em seu artigo "Para uma teoria da Literatura de Viagens" [In.: Idem (coord.). Condicionantes culturais da Literatura de Viagens. Lisboa: Almedina, 2002]. Todavia, com especial atenção ao tipo "Viagens de expansão" e às suas variantes "expansão política", "expansão da fé" e "expansão científica", questionando a sua aplicação sobre a obra oliveiriana.
Assim, com o contato entre estes dois textos, de modo específico, e com o uso de uma bibliografia ampla, vislumbraremos possíveis respostas para as problemáticas lançadas.

Jorge Luiz Cruz

Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ


Cabo Verde: um cinema por vir

Palavras-chave: Artes; Audiovisual; Cinema; Língua portuguesa; CPLP

Resumo: Talvez este seja o momento de voltarmos os nossos olhos para a cinematografia em Cabo Verde, país que conta com apenas duas salas de cinema, pois, mesmo olhando de longe, eu venho observando desde o Brasil, há algumas tantas ações que demonstram um esforço para implantação e consolidação da sétima arte no país, e todos sabemos o enorme esforço necessário para, às vezes, conquistar pequenos resultados. De qualquer forma vale ressaltar algumas destas iniciativas, tanto oficiais, quanto particulares: festivais, associações, escolas de cinema, etc.

Sílvia Vieira

Universidade do Algarve - CIAC



O cinema de ficção em Moçambique: gramáticas e conteúdos

Palavras-chave: Cinema Moçambicano; Ficção; Sol de Carvalho

Resumo: A produção cinematográfica em Moçambique depende de um sistema de produção muito frágil ancorado em apoios externos. A deficiente rede de distribuição e de difusão, e a escassez de salas, não permitem que o cinema moçambicano tenha grande visibilidade. Fora dos circuitos dos festivais, dos congressos e das universidades, este cinema é praticamente desconhecido.
Divulgar o trabalho dos cineastas moçambicanos, compreender o contexto e as condições em que filmam, e refletir acerca do olhar destes sobre o mundo que os rodeia, são os principais objetivos desta apresentação.
Neste sentido, pretende-se, por isso, fazer uma leitura transversal da história do cinema contemporâneo em Moçambique, convocando para a discussão os realizadores Licínio Azevedo, Sol de Carvalho, José Cardoso, João Ribeiro, Pipas Forjaz e Mikey Fonseca.

Helyenay Souza Araújo

Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ

Coprodução no Ibermédia: Uma análise dos filmes brasileiros coproduzidos com apoio do fundo entre 2003 e 2013

Palavras-chave: Coprodução; Ibermedia; Cinema Brasileiro

Resumo: O fomento à produção cinematográfica em regime de coprodução tem sido uma saída para os países latino-americanos que pressionados em sua cadeia produtiva pela   hegemônica indústria cinematográfica norte americana têm dificuldades em desenvolver suas  cinematografias. Desde da década de 1990, essa modalidade de realização fílmica tem sido sistematizada de forma mais consistente entre esses países, Portugal e Espanha através do Programa Ibermedia. Ao que pesem as controvérsias, este programa tem tentado cumprir o papel de promover um espaço de interação audiovisual na  chamada Iberoamérica. Esse artigo tem por objetivo apresentar minha proposta de pesquisa de doutorado, que buscará avaliar a relação investimento/retorno das coproduções realizadas pelo Ibermédia nos seus últimos dez anos (2003-3013), tomando para estudo de caso 32 coproduções brasileiras realizadas com apoio do fundo, durante esse período.

Leandro José Luz Riodades de Mendonça

Universidade Federal Fluminense

A autoria na produção audiovisual lusófona

Palavras-chave: Lusofonia; Autoria; Direito Autoral

Resumo: A presente proposta baseia-se no aprofundamento de reflexão sobre a possibilidade de compreender as distinções e semelhanças entre as experiências cinematográficas da história do audiovisual e, ao mesmo tempo, destacar a dimensão da propriedade e dos direitos de autor. Tentar-se-á escrutinar a produção audiovisual de alguns países africanos participantes da Comunidade dos países de língua portuguesa/CPLP, quais sejam Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe para através de análise qualitativa identificar características específicas que explicitem as diversas dimensões da autoria.

Sexta 7, Novembro 2014

Luiza Elayne Azevedo Luindia

Universal Federal do Amazonas
Manaus - Brasil

Estudos culturais, subalternidade e convergência midiática: cine periférico no Brasil

Palavras-chave: Estudos culturais; Subalternidade; Convergência Midiática; Cinema Periférico; Brasil

Resumo: Compreender as conexões entre as teorias dos estudos culturais especificamente do multiculturalismo, buscando alinhar com olhares de investigações sobre um arcabouço teórico de subalternidade a partir de discussões sobre as contribuições da convergência midiática. Se pretende também estabelecer cenários acerca do desenvolvimento do cine periférico, tendo como recorte o Brasil. O cine periférico ou terceiro cinema se relaciona com aspectos históricos do Terceiro Mundo, tendo se desenvolvido não somente na Índia, Irã, China, África, mas também na América Latina e outros países. Pode ser compreendido como um conjunto de técnicas abertas e simples com a veiculação complexa de ideias de questões sociais, políticas, econômicas, culturais, situações de violência e de conflitos entre outros temas. O processo de elaboração dessas práticas cinematográficas ou de videografias procuram romper com paradigmas das tendências estéticas do eurocentrismo e do centrismo da América seguindo alternativas que vão desde a narrativa, interpretação, reconfigurações de intervenções no roteiro até o uso de dispositivos entre outras. Hoje a América Latina é conhecida como um expoente do cine periférico, denominação advinda dos países emergentes e dos ideais terceiro-mundistas através de reivindicações políticas, econômicas e socioculturais. No Brasil, suas origens têm lugar a partir dos anos 90 quando se  inaugura a retomada do público às salas de cinema para prestigiar a produção nacional sem necessariamente se esbarrar com os sistemas da indústria de Hollywood, com a produção atrelada às empresas patrocinadoras e interferências, no roteiro dos filmes, na escolha do elenco e de cenários. Ademais, a Internet e seus suportes digitais vêm contribuindo para incrementar essas práticas cinematográficas alternativas em países africanos de expressão portuguesa e com uma alta concentração no Brasil correspondendo a várias tentativas de conquistar um espaço e uma fatia de mercado diante de Hollywood. Utilizaremos a pesquisa bibliográfica e a dialética e como procedimento escolhemos o método de estudo de caso para captar várias intervenções, os desafios e as inquietações presentes entre os componentes mencionados.

Maria Mota

Investigadora no Instituto de História Contemporânea – Universidade Nova de Lisboa (ihc.fcsh.unl)



A História de Portugal em Questão: “Non ou a Vã Glória de Mandar” de Manoel de Oliveira

Palavras-chave: Ficção; Objetividade; Verdade; História e Mito

Resumo: Os filmes históricos, enquanto objeto de investigação, são trabalhados quer por historiadores quer por críticos de cinema. Ficção histórica e/ou discurso sobre a História cada filme representa um caso particular e a generalização neste campo não é aconselhável.
Nesta comunicação pretendo analisar o filme Non ou a Vã Glória de Mandar de Manoel de Oliveira. Por muitos considerados um filme-ensaio, “Non” estabelece curiosas relações entre mito e história. Neste filme o realizador constrói uma visão própria da história de Portugal (Oliveira é também o autor do argumento) em que expõe de forma frontal o problema do declínio de Portugal. Centrado sobre a ideia de uma impossibilidade ou recusa inscrita no corpo da nação, desde as suas origens, por um Destino enigmático, logo, no título - Non ou a Vã Glória de Mandar - conjugam-se duas ideias negativas, oriundas de obras de dois dos maiores clássicos da língua portuguesa: António Vieira e Luís de Camões. Imprecações poderosas, tanto o non vieiriano como a “vã glória” camoniana são condenações apaixonadas e violentas contra a pátria e, ao mesmo tempo, avisos e advertências sobre o seu futuro. Filme cuja concepção foi sendo amadurecida durante longos anos, por alguns considerado como o opus magnum de Manoel de Oliveira, vituperado por outros como uma narrativa histórica primária em termos de conteúdo, Non, como todas as obras de Oliveira causou polémica na altura da sua estreia em Portugal. Concebida como uma série de episódios dramáticos (exceptuando o episódio mítico e lírico da Ilha dos Amores), a história portuguesa inicia e finda sob a influência nefasta do planeta Marte (o “Pátrio Marte”, camoniano). O filme de Oliveira não se centra numa única época mas atravessa diversas camadas de temporalidade numa tentativa de captar um sentido global para a história portuguesa, um sentido que nunca é encontrado ou se o é, corresponde ou corresponderá sempre ao momento da recepção.

António Costa Valente

Universidade de Aveiro
Departamento de Comunicação e Arte


Questões de visibilidade do “cinema português independente”

Palavras-chave: Cinema Português; Cinema Independente; "Ano 0"

Resumo: A “Lei do Cinema e do Audiovisual”(nº55/2012) quase parece ter nascido para justificar um “ano 0” dos apoios do estado ao cinema português.
Em 2012, não se fizeram filmes com apoios atribuídos pelo “ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual”, mas inesperadamente vários filmes começaram a sua produção e alguns deles foram terminados e exibidos nesse e nos anos seguintes.
De algum modo, foi a primeira vez na nossa história cinematográfica recente que o cinema construído pelo que podemos chamar “sociedade civil” ultrapassou a malha controladora do estado, iniciada no tempo da ditadura.
Em questão ficaram várias interrogações que se têm vindo a repercutir para além do ano 2012.
Diríamos que a primeira será o que definir agora como “cinema independente”. Segundo a referida Lei e o seu Decreto Regulamentar, “independente” será o produtor de filmes não controlado pelos operadores de televisão. Parece assim óbvio que “independente” será o cinema produzido com o apoio do ICA, que até tem mecanismos regulamentares que garante esta “independência” face aos operadores de televisão.
Mas a nova questão é: onde ficam os novos filmes não produzidos sob o controlo das televisões e também agora do ICA? Não serão estes os “filmes independentes”?
Inesperadamente, 2012 parece ter visto nascer um novo cinema português.
Parece que novos filmes cresceram fora das amarras tecnológicas e laboratoriais, sem financiamento estatal, permitindo e inesperadamente dando voz aos talentos que a todos os níveis se foram multiplicando nos últimos anos e em toda a geografia urbana e mesmo rural do país.
De repente, estes filmes passaram a ser a face visível de um Portugal cinematográfico.
O circuito de festivais e mostras de cinema passaram a ser o grande espaço de divulgação desta “produção independente”. Presentes nos ecrãs de múltiplos eventos no país e no estrangeiro, parece no entanto que não encontram a mesma visibilidade na comunicação social e nos meios de divulgação da nossa cultura.
Em 2014, o ICA volta a estar presente no Mercado do Festival de Cannes, onde volta a distribuir um catálogo do cinema português após um interregno de dois anos.
Dos 32 filmes catalogados, nenhum faz parte deste novo cinema. O ICA limita-se a catalogar os filmes que apoia, gerando automaticamente uma divisão entre “filmes ICA” e “filmes não ICA”.
Fruto, provavelmente, do “Ano 0” de 2012, dos 10 filmes de longa-metragem de ficção catalogados, só três são de produção maioritariamente portuguesa e realizados por autores nacionais.
Entretanto, 2014 marca o início de apoios do ICA à finalização de obras cinematográficas entretanto produzidas sem a sua participação. Este primeiro concurso recebeu 34 candidaturas de filmes que foram rodados e em parte finalizados sem apoio financeiro estatal e sobretudo, cuja produção se iniciou por vontade expressa dos seus promotores.
Só este número ultrapassa a totalidade dos filmes apoiados e divulgados pelo ICA no seu catálogo.
Diríamos que 2012, mais do que um “ano 0”, foi tempo de um novo “cinema português independente” e 2014 obriga-nos a pensar e a confrontar os espaços da sua visibilidade.

Consulte também o site dos Encontros Cinematográficos

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