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Apresentação

Cinema em Portugues 2013


5 a 9 de Novembro de 2013

Programa

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Resumos

5 Terça

Patrícia Silveirinha Castello Branco

Universidade da Beira Interior - LabCom

A fisicalidade inalienável do real: reinterpretando Mudar de Vida (1967) à luz do debate contemporâneo sobre o háptico

Palavras-chave: Paulo Rocha; Háptico; Cinema Português

Resumo: Nesta apresentação pretendo interpretar a sequência da faina piscatória de Mudar de Vida (1967) à luz, não das características que partilha com o designado Cinema Novo Português --  e com as quais a obra se encontra estética e historicamente identificada --, mas sobretudo partindo daquilo que defenderei ser o principal elemento estético do filme: a construção de um espaço que vive da constante passagem de meras relações físicas com a realidade, para relações sociais abertas a renegociação e vice-versa. Argumentarei ainda que essa duplicidade encontra um eco directo na relação que os diferentes planos estabelecem com o espectador através da passagem alternada entre uma visualidade háptica e uma visualidade óptica.
Esta análise colocar-nos-á diretamente em diálogo com um dos mais importante debates contemporâneos sobre a imagem cinematográfica: a questão das relações da e com a imagem e dos diversos tipos de visualidade construídos no Cinema. Como referi acima, procurarei defender que a sequência da faina piscatória se encontra operacionalizada com base numa montagem contrastada entre dois tipos de visualidade: a visualidade háptica e visualidade óptica. Em seguida, analisarei as características formais de cada uma delas, os seus apelos estéticos e a forma como eles se encontram presentes nos diferentes planos desta sequência. A partir desta análise discutirei aquilo que considero ser a inalienável contemporaneidade deste filme de Paulo Rocha à luz das mais recentes discussões sobre a materialidade da imagem háptica (Riegl, Deleuze, Marks).

Maria Cristina Tonetto

Centro Universitário Franciscano - Santa Maria, RS - Brasil

coautor: Marcio Z. Negrini

Faculdade dos Meios de Comunicação Social - FAMECOS - Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul - PUCRS 


O neo-realismo de Nelson Pereira dos Santos e a apresentação do povo da cidade do Rio de Janeiro

Palavras-chave: Cinema; neo-realismo; Nelson Pereira dos Santos; cultura

Resumo: Este artigo procura mostrar o imaginário brasileiro através do projeto cinematográfico do diretor Nelson Pereira dos Santos, onde especialmente observamos os filmes de estética neo-realista Rio 40 Graus e Rio Zona Norte, do período entre 1955 e 1957.  A questão que perseguimos trata de como os filmes representam em termos éticos e estéticos personagens que sejam capazes de dar conta  do povo carioca e suas relações com o espaço da cidade do Rio de Janeiro, a política, o futebol e o samba. Na investigação dos filmes selecionados propomos notar como a apresentação cinematográfica do imaginário social proposta por Nelson Pereira do Santos é capaz de revelar-nos um pequeno inventário dos modos de vida e espírito de um povo.

Joanna Figueiredo Paraizo Garcia

Universidade Nova de Lisboa

Os limites da ficção e realidade no cinema: Estudo de caso do longa metragem brasileiro “A falta que nos move”

Palavras-chave: Limites real e ficção; “A falta que nos move”; Christiane Jatahy

Resumo: Este trabalho pretende discutir a relação entre real e ficção no cinema. Para isso, pretende-se fazer um estudo de caso centrado na análise de um filme brasileiro “A fala que nos move”, que funciona como desdobramento de uma peça “A falta que nos move ou todas as histórias são ficção”, ambos sob a direção da Diretora Christiane Jatahy.

O experimentalismo e improviso presentes no objeto de estudo - filme -, são aspectos essenciais nessa discussão, pois propõem uma espécie de “jogo aberto” com os atores e, por conta disto, tornam difícil estabelecer os limites entre ficção e realidade.

6 Quarta

Luiza Elayne Azevedo Luindia

Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade do Algarve (Ualg)


Portugal: Publicidade turística nos movie maps

Palavras-chave: movie maps; publicidade turística; Portugal

Resumo: O turismo e o cinema fazem parte das chamadas indústrias criativas e ambas fazem apelos através da publicidade em conjunto com os movie maps ao consumo de lugares, paisagens ou, ainda, aos desejos e sonhos. Os movie maps, também conhecidos como cineturismo, movie-induced tourism ou film-induced tourism são fenômenos pouco investigados, contudo com um crescimento fulgurante a nível mundial (Busby e Klug, 2001). Eles são responsáveis pelas visitas turísticas a um determinado local ou destino, como resultado desse local ou destino ter aparecido na televisão, no cinema ou em vídeos (Hudson e Ritchie, 2006). A título de exemplo, o fluxo de visitas a mosteiros e castelos teve um incremento significativo graças à indústria cinematográfica. Filmes como Robin Hood, Hamlet, Sense and Sensibility, 101 Dalmatians e Mrs. Brown foram os principais responsáveis por este surto de valorização do patrimônio histórico. O âmbito do turismo cultural em Portugal se alarga assim cada vez mais promovendo alguns cenários interessantes relacionados com visitas a mosteiros, conventos, castelos, museus, caves, participação das festas regionais e, ainda, nas apresentações do Fado. Filmes como O Convento, Manoel de Oliveira (foco no Convento de Arrábida), É na Terra não é na Lua, Gonçalo Tocha (Ilha do Corvo- Açores), Alentejo, Tempo para ser feliz, Nuno Maló, (Alentejo) e outros podem ser considerados como movie maps da publicidade turística de Portugal. Desse modo se intenta refletir sobre a relação entre os movie maps e o turismo para se buscar evidenciar sua importância crescente para o incremento turístico de Portugal. Os movie maps são entendidos a partir de Certau (citado por Augé, 2004), como  a necessidade dupla de “ver” e  “fazer” eles com seu poder simbólico criando a “imagem” de um território através de representações  para produzir significados. Esses se transformam em “imaginários”, mediadores da realidade e desencadeiam um processo de reinterpretação sugerido pela vivência particular nascida ao contemplar a película. Nesse modo, os lugares embora “reconhecíveis”, são exibidos e percebidos de um modo mais atrativo, diferente e inédito. Para Ortuño e Puche (2009), entre o cinema e o turismo se materializam estratégias e ações comunicativas muito rentáveis e eficazes, potenciando mutuamente com aproveitamento do cross media ou narrações infinitas, integração de múltiplos meios para contar um relato de maneira contínua. Instala-se  a progressiva substituição da realidade histórico-social por seu simulacro: a relação entre o real e o signo invertido – o simulacro no mundo pós-moderno determina o real (Cohen 2005). As cenas dos destinos turísticos se constituem em um exercício de superação simbólica para logo se transformarem em cenas de ficção e reviver a experiência do relato cinematográfico.  São mapas ou planos ao incluírem um recorrido pelos principais locais que aparecem nas películas de maior êxito ou impacto nas séries de televisão. Os movie maps são a firme constatação de um mapa cognitivo que organiza o trânsito do viajante turista segundo os dados de uma vivência cinematográfica antecipada.

Maria Mota

Investigadora do Instituto de História Contemporânea – Universidade Nova de Lisboa



Texto e Contexto, da peça de teatro ao filme: "V Império, Ontem como Hoje"

Palavras-chave: mito; história; texto; cinema

Resumo: O que leva um autor a “pegar” num texto de teatro do século XX, que retrata uma situação passada – o século XVI, no momento em que o decide filmar (século XXI)?

O tempo/contexto em que uma determinada mensagem é emitida permite uma análise mais circunstanciada dos porquês de uma opção.
Baseado na peça de teatro de José Régio, o filme “V Império - Ontem como Hoje” de Manoel de Oliveira galga as fronteiras do texto de José Régio e da figura histórica (D. Sebastião) para colocar como tema de reflexão a questão do poder e, nas entrelinhas, a questão de Portugal na União Europeia, ou, ainda, a questão do poder como um tema universal, tanto ontem como hoje.
A aproximação de tempos diferentes estava presente já no texto de Régio (curiosamente proibido de circular pela censura) em que o intemporal (o mito) e o temporal (a figura histórica) se cruzam.
Como recebe o público a mensagem? Foi a questão que colocámos e tentamos resolver através de um inquérito feito nas cidades de Lisboa, Porto e Braga aquando da estreia do filme.

Rita Bastos

Universidade da Beira Interior - LabCom
Fundação para a Ciência e Tecnologia


O Direito à Cidade: a heterogeneidade estética do Novo Cinema Português na génese da visibilidade de Lisboa

Palavras-Chave: Cidade; Lisboa; Visibilidade; Novo Cinema Português; Heterogeneidade

Resumo: De uma forma unânime, o novo cinema emerge como uma nova forma de ver e pensar o cinema, com o objetivo comum de regenerar o cinema nacional impondo um cenário de rutura com o velho cinema. Não é consensual, porém, a existência de uma presumida unidade que vincule o Novo Cinema Português enquanto movimento cinematográfico, no sentido em que, a vinculação das obras entre si em termos estéticos não se apresenta de uma forma linear. O que se assiste é a uma multiplicidade de olhares sobre a mesma realidade, construindo um imaginário heterogéneo, onde as aproximações nascem a partir de referências em comum.

Por outro lado, até ao início dos anos sessenta (e salvo raras exceções), a representação da cidade de Lisboa limitou-se a um ideal imaginado de uma cidade que se pensava ‘moderna’, onde os espaços impessoais e as relações pessoais são esquecidos em proveito de uma representação do que de mais rural existe no ambiente urbano, como é o caso das comédias à portuguesa. Com os primeiros filmes do Novo Cinema Português, a nova linha urbana da cidade de Lisboa, composta pelas novas avenidas, pelos bairros periféricos, pela arquitetura moderna, torna-se visível. Do mesmo modo, a sociabilidade construída nos espaços, enquanto sinónimo do mal-estar vivenciado, espelhando a claustrofobia política e social do país, estão patentes nessa mesma representação.

Nesse sentido, esta comunicação propõe uma aproximação metodológica entre duas noções – a visibilidade de Lisboa - e a heterogeneidade estética. Para isso serão analisadas as três primeiras obras do novo cinema – Verdes Anos (1963) de Paulo Rocha, Belarmino (1964) de Fernando Lopes e Domingo à Tarde (1965) de António de Macedo.

Assim a presente comunicação tem como objetivo:

a) Compreender quais as principais referências das novas vagas europeias que desempenharam uma forte influência na construção da heterogeneidade estética das obras em questão;

b) Analisar e compreender pontos de convergência e dissonância, na representação da cidade, sublinhando a importância destas três obras na visibilidade de Lisboa, enquanto espaço único e caracterizável, no cinema português.

Nélson Marques Araújo

ESAP – Centro de Estudos Arnaldo Araújo,
doutorando na Universidade de Vigo

A imagética da clausura: o espaço como metáfora

Palavras-chave: Imagem; Fechamento; Espaço; Poética.

Resumo: A cinematografia portuguesa nas décadas de 60 a 80 do século passado, expressa uma propensão para filmar o espaço, como superfície de clausura, refletindo a condição de isolamento que o país viveu na ditadura. Os elementos espaciais que participam daquele universo fílmico serão assim  proclamadores de uma imagética espacial específica, substancializando o cruzamento das informações estudadas, uma tendência estética abrangente, gravitando na pluralidade das propostas investigadas, uma experiência espacial de clausura.
 Pretende-se assim,  sinalizar na imagem, esta dinâmica designada por Regina Guimarães e Saguenail, como “território de experimentação de espaço fechado” e como a forma de um determinado cinema português assume contornos visuais marcados por esta tendência estética. As coordenadas fílmicas sugeridas, substancializam esta problemática em obras tão díspares como: Verdes Anos (1963) de Paulo Rocha; Belarmino (1964) de Fernando Lopes; Benilde ou a Virgem-Mãe ( 1974) de Manoel de Oliveira; Um Adeus Português (1985) de João Botelho e Recordações da Casa Amarela (1989) de João César Monteiro.

7 Quinta

Frederico Lopes

Universidade da Beira Interior - LabCom

Marcas de Autor nos primeiros filmes de Oliveira

Palavras-chave: Cinema de autor; Manoel de Oliveira; Cinema Português

Resumo: Retomando da noção de autor procuram-se marcas nos primeiros filmes realizados por Manoel de Oliveira.
Desde «Douro Faina Fluvial» que a questão se pode colocar, sendo este um filme interessante de analisar nesta perspectiva, uma vez que é recorrente a comparação e as influências dos trabalhos de outros realizadores e escolas, a que acresce o facto de, numa fase inicial da vida deste filme, frequentemente se referirem os nomes de Oliveira e de António Mendes, o director de fotografia, como autores do filme. Tal parece contrariar a ideia de um Oliveira autor desde o primeiro momento.
 Diversamente, vemos em «Douro Faina Fluvial» marcas de autoria que se prolongam nos filmes seguintes. De facto, podemos constatar que há já elementos de ligação entre os primeiros filmes do cineasta que afirma, mais tarde, que muitas vezes a ideia para um novo filme lhe ocorre durante a rodagem de um filme em curso. É este desenvolvimento de ideias e de organização do pensamento presente nos filmes como um verdadeiro programa de autor que nos leva a sustentar a ideia de obra, presente desde o início, no cinema de Oliveira.

Isa Ribeiro da Cunha

Universidade da Beira Interior - LabCom

A representação de personagens estrangeiras em “Viagem a Portugal”

Palavras-chave: Personagem; Estrangeiro; Representação

Resumo: Recorrentemente fruto de um retrato da realidade que o rodeia, cada vez mais é possível verificar no cinema português contemporâneo o tratamento e a presença de personagens estrangeiras. Entre as várias obras onde é possível encontrar personagens que assim se caracterizam surge Viagem a Portugal de Sérgio Tréfaut, cuja narrativa se centra numa mulher ucraniana. Neste sentido desenha-se então uma caracterização, decomposição e análise das personagens estrangeiras que aí se encontram, de forma a apresentar um entendimento dos diferentes níveis da sua construção e representação.

André Rui Graça

University College London

Notas Para Uma Sociologia do (in)Sucesso do Cinema Português

Palavras-chave: Cinema Português; mercado; crítica; público; recepção

Resumo: Estando, no panorama dos circuitos internacionais, inserido dentro das categorias vastas e polissémicas de “cinemas do mundo” ou “cinema artístico”, o cinema português possui um espaço no mercado de distribuição e exibição que merece análise aprofundada. Do mesmo modo, urge avaliar as consequências da ligação entre esta circunstância de mercado com os contextos da sua recepção, dentro e fora do país. Por outras palavras e enunciando na forma interrogativa: como é que o cinema português se tem relacionado do ponto de vista estético e cultural com os mercados de cinema e os diferentes critérios que os pautam?
A presente comunicação pretende, assim, problematizar a situação do cinema português, produzido desde 1974 até aos dias de hoje, tendo em conta a dicotomia existente nos circuitos de distribuição e circulação de obras cinematográficas: por um lado um certo cinema português (nomeadamente aquele que almeja ser apresentado fora do país, em competições ou mostras) tem vindo a usufruir de relativa aclamação por parte da crítica especializada e dos meios cinéfilos; por outro, possui uma presença residual nas salas de cinema, com números de bilheteira comparativamente pouco expressivos, para além da falta de reconhecimento por parte de um público mais vasto.
Por conseguinte, cabe ainda no escopo deste texto questionar a possível importância deste sistema para a afirmação e manutenção de uma prática de cinema, dita artística, que tem vindo ser preferida e a marcar de forma mais veemente o cinema português desde os anos 60, numa tentativa de pesar a influência do complexo mercado de cinema na estética e nos temas do cinema português. Esta comunicação encontra o seu suporte principal nos trabalho de Leonor Areal e Paulo Filipe Monteiro, bem como na análise do estado da cultura portuguesa e da tensão periferia-centro elaborada por António Pinho Vargas. Num momento introdutório e proceder-se-á à exposição e desconstrução da forma como estes dois circuitos paralelos funcionam e quais os critérios que privilegiam. Um segundo momento, pretende estabelecer a ponte entre as premissas colocadas e o contexto sócio-político da produção de cinema português, com vista a que, numa última fase, se possa ensaiar uma conclusão que auxilie a compreensão do percurso histórico e estético do cinema português através do estudo da sua sociologia cultural. O objectivo final será apresentar alguns apontamentos e linhas para uma investigação direccionada neste sentido.

Paulo Cunha

CEIS20 – Universidade de Coimbra

O “cinema de bordas” português

Palavras-chave: Cinema Português; Cinema de Bordas; Paracinema; Trash Culture; Redes sociais

Resumo: De acordo com a proposta de Bernardette Lyra e Gelson Santana, o “filme de bordas” é um tipo de produção audiovisual de ficção que dialoga com a cultura de massas e é realizado em contextos comunitários, geralmente por equipas amadoras, com características específicas de produção e exibição. Produzidos e distribuídos à margem das instituições audiovisuais convencionais, nasce de um diálogo entre os modos do sistema popular (oralidade e a corporalidade) e os sistemas de códigos dos géneros cinematográficos e, sobretudo, televisivos. Este conceito brasileiro de “cinema de bordas” está muito próximo de outros conceitos internacionais como paracinema (Jeffrey Sconce 1995) ou trash culture (David La Guardia 2008).

No Brasil, a Mostra Itaú Cultural Cinema de Bordas, realizada anualmente desde 2009, tem trazido um mediatismo que tem despertado o interesse do mundo académico e científico por este fenómeno. Em última análise, este cinema leva ao extremo uma célebre provocação de Glauber Rocha: “uma câmara na mão e uma ideia na cabeça”.

Em Portugal, na última década tem-se assistido a alguns fenómenos que podem ser lidos como “filmes de bordas” portugueses: a trilogia Balas e Bolinhos (2001, 2004, 2012), O Ninja das Caldas (2002), Bófia Prostituto (2003), 100 Volta (2009), A última Famel (2010), O Lenhador Assassino (2011), Comando (2011) ou Estrondo (2012, 2013). Espaços como as redes sociais (Youtube e Facebook sobretudo), a SIC Radical e o MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa têm dado visibilidade a muitas destas produções marginais, trazendo-lhe o (maior) reconhecimento do público e de alguma crítica cinéfila, sobretudo na blogosfera.

O propósito desta comunicação é analisar a produção de “filmes de bordas” em Portugal, procurando caracterizar e reflectir sobre este tipo de fenómeno que funciona à margem dos canais convencionais de produção e distribuição de cinema.

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